segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O Dia em que nasceu Aurora Catarina.


Aurora perdeu as folhas de outono
E voou para florir na primavera
Mas o que nunca cai da sua árvore
São os galhos longos de saudade
Que atravessam o hemisfério
Pra encher a menina de felicidade
Os rostos de sorrisos
E os braços de vontade...


Seria mais fácil se fosse possível juntar tudo numa coisa só e num lugar só. Mas onde Aurora? Essa é uma pergunta que nem eu e nem ela podemos responder agora. O máximo e o melhor que podemos fazer é contar uma história.

Aurora era semente quando tudo isso aconteceu e eu, hoje, decidi contar pro mundo a história do dia em que Aurora Catarina nasceu.

Janelas embassadas. A tempertura baixou 20 graus em apenas 12 horas. Parecia que o tempo estava me mandando embora de novo. A chuva caía teimosa, e eu só queria voltar à dormir. Mudar dá medo; voltar também me deu medo. Mais medo eu tive de ir.

Então levantei e tropecei na mala, que estava pronta para o retorno. Das coisas que trouxe, bagagem ainda muito leve, deixei a metade, esperando voltar logo. Das coisas que tinha aqui, muitas joguei fora, sabendo que eu traria comigo muito mais do que as malas poderiam carregar.

O meu pai entrou no quarto esperando me acordar, mas eu já estava acordada há horas, pensando na dificuldade de dizer "Adeus". Podia ser a primeira, a segunda, a terceira ou a última vez, não gosto do peso que essa palavra carrega, e choro todas as vezes que preciso fazer uso dela.

Depois disso, o resto do meu dia, até o momento que coloquei as minhas malas de volta no carro, são brancos na minha memória. Só lembro da chuva, de água e de lágrimas, que rolaram rio abaixo naquele dia. Eu já devia estar acostumada, mas ninguém se acostuma com tanta nostalgia.

No caminho de duas horas até o Aeroporto, de novo, conversas de mãe. "Tudo vai ser melhor agora" dizia ela, e eu acreditava, porque queria acreditar. Eu estava indo pra um lugar onde gostava de morar, mas ia morar com pessoas que não conhecia, e de novo não fazia idéia do que ia encontrar.

Uma pílula, e as próximas horas passaram voando de avião em avião. Quinze horas depois de abraços, lágrimas, despedidas e filas de check-in, eu desembarquei. O que encontrei? Uma família que também não sabia o que esperar. E um abraço forte foi suficiente pro coração de todos se acalmar.

E naquela noite, no meu quarto, decidi escrever sobre lágrimas e sentimentos. Fora de mim, uma mulher atuava. Dentro de mim, uma menina nascia. Aurora então surgiu, trazendo de volta a inocência de menina e a vontade de falar, que há muito tempo se escondia.

E até hoje, se há um motivo pelo qual Aurora nasceu e cresceu, foi a saudade. Não importa onde ela esteja, sempre há alguém que faz falta escondido em outro lugar. E isso é motivo de felicidade sim, na medida que a intensidade do amor se mede pelo tamanho da saudade. A distância é só questão de espaço, quando o que realmente nos dá motivação é simplesmente a importância que cada pessoa tem bem aqui, dentro do nosso coração.

E não se atreva a falar de Aurora
Quem não sabe falar de amor.

Oi.


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