
(-.-)
Eu e a Aurora Catarina estamos com a criatividade bloqueada a quase um mês. Uma falha na comunicação. E durante esse período, esperei ansiosamente por algum acontecimento que me inspirasse um texto de conteúdo público, e não restrito à experiências pessoais. Mas o fato é que o blog é meu (grande surpresa). Meu... meu mesmo, Luciane. E eu não consigo separar o eu de mim mesma, nem quando sento na frente do computador pra escrever as coisas que a Aurora sopra no meu ouvido. Ora contos, ora textos curtos, poéticos e enfeitados com rimas, mas todos eles tem um pouco do que mora aqui dentro, com a Aurora Catarina.
Então o Pietro nasceu. Eu fiquei aqui sentada, com esperança de expressar em palavras toda aquela alegria. Mas a miscelânia de sentimentos que explodiu dentro da Titia, bloqueou a organização de um corpo de texto coerente. No fundo, o texto conta com a emoção na sua essência, mas o escritor precisa de razão como ferramenta de coesão e coerência.
O fato que deu origem ao início deste texto, infelizmente, não foi sensacional (como o Pietro) e, tão pouco, feliz. Eu não costumo usar o blog como diário das minhas experiências de viagem, mas é um fato que ilustra um sentimento compartilhado, e certamente compreendido, por quase 100% da população Brasileira. E eu já nem lembrava mais.
Então o Pietro nasceu. Eu fiquei aqui sentada, com esperança de expressar em palavras toda aquela alegria. Mas a miscelânia de sentimentos que explodiu dentro da Titia, bloqueou a organização de um corpo de texto coerente. No fundo, o texto conta com a emoção na sua essência, mas o escritor precisa de razão como ferramenta de coesão e coerência.
O fato que deu origem ao início deste texto, infelizmente, não foi sensacional (como o Pietro) e, tão pouco, feliz. Eu não costumo usar o blog como diário das minhas experiências de viagem, mas é um fato que ilustra um sentimento compartilhado, e certamente compreendido, por quase 100% da população Brasileira. E eu já nem lembrava mais.
cap. 1
O Fato:
Frio, neve. Uma noite linda pra ficar em casa, como fiz durante toda a semana(???). Eu precisava sair! Coloquei identidade, uma grana e o celular no bolso. Tava pronta.
Saí de casa com ar de "a noite vai ser muito massa", especialmente porque eu não era a motorista da vez. O Bar que fomos, chamado Grasshopper (Gafanhoto), é um lugar que já conheço bem. Costuma ser bem freqüentado, ter boa música e vender boa (muito boa) cerveja.
Pendurei meu casaco na arara, com o meu celular no bolso de dentro. Na mesma arara estavam presos uns quarenta casacos e algumas bolsas femininas. E, enquanto, não muito longe da cena do crime, eu dançava e ria despreocupadamente, alguém decidiu escolher o casaco mais bonito da Arara (huhu \o/ o meu), checar os bolsos, e levar o que tinha dentro.
A Festa foi mesmo muito boa. Mas notar a falta do meu celular no bolso de dentro do casaco, pouco antes de ir embora, e depois de algumas cervejas, foi ápice da noite.
Mas calma, que depois de tentar ligar um milhão de vezes pro meu celular, mandar mensagem de texto, recebi resposta. Recebi a ligação de um tal de "James", que disse ter encontrado o meu celular no lado de fora da festa (acredito que o meu casaco tenha saído sozinho lá fora tomar um ar, e deixou o celular cair). Pediu que eu o encontrasse na noite seguinte, no mesmo bar, que ele devolveria meu celular. Alguma coisa não soava bem! Mas foi o suficiente pra uma luz de esperança. Por pouco tempo. Dia seguinte, celular desligado.
cap.2
As Ironias:
1. Não é um celular muito valioso. É um bom celular, o melhor que já tive, mas não compensa o risco do furto.
2.Eu estou nos E.U.A., onde eu acreditava que essas coisas não aconteciam;
3. Eu falei com a minha mãe no telefone aquele dia, e relatei pra ela que me sentia relaxada com a segurança e a confiança que as pessoas depositam umas nas outra aqui (eu não teria deixado o casaco pendurado, se eu tivesse no Brasil);
4.Peguei o celular na mão antes de sair e pensei: "vou deixar em casa", pelo menos umas três vezes. Enfiei no bolso do casaco sem querer, quando recebi a ligação de "to aqui";
5. Qual o proposito do modafoca me ligar?
6. Eu sabia, lá no fundo, que o celular não ia mais voltar. E isso me deixou triste;
7. Cada vez que eu ligava pra mim, a minha voz repetia que eu precisava deixar uma mensagem. Na última vez que liguei, não resisti ao desejo de gravar um "Bem feito pra mim! Tomara que essa merda caia numa valeta!" (em inglês, no caso do idiota descobrir a senha na minha agenda de contatos).
cap. 3
O Sentimento:
Na hora que apalpei o bolso, meu estômago retorceu. Olhei no chão, perguntei no bar e o foi crescendo um desespero. Pela segunda vez, em menos de três meses, eu senti uma vontade louca de bater em alguém. Alguém que tava por perto, mas que dessa vez, eu não fazia idéia de quem era.
Depois que recebi a ligação me acalmei, mas continuei suspeitando. Na primeira tentativa de contato, meu celular tava desligado. Mas quando consegui contato, e conversei com uma voz, aparentemente amigável, nasceu a esperança (mesmo que ainda cheia de suspeita). Hoje à noite constatei que meu sexto sentido NUNCA falha. E agora, o que me resta, é o consolo de que era SÓ um celular. A muito tempo eu não me deparava com esse sentimento. Eu já tinha até esquecido.
cap. 4
A Moral:
Eu defendo, sem discutir, a idéia de desapego material. O celular, mesmo sendo uma necessidade indispensável (enquanto não me mudo pro Hawaii), é só um aparelho. Sim, eu paguei por ele. E dinheiro, é só dinheiro.
Mas um sentimento de repulsa e revolta cresceu dentro de mim sendo uma vítima de violação de conteúdo pessoal. É saber que alguém tem empáfia suficiente pra entrar na minha vida, e tomar posse do que me pertence sem permissão. Gosto de me desapegar das coisas por escolha, e não por obrigação. Estou ainda aqui, tentando me sentir livre desse sentimento, mas é inevitável. E é uma repulsa completamente desapegada ao valor material do objeto, mas me sinto dona da minha privacidade, e não gosto de ninguém ameaçando o meu reinado.
Furto é um crime que acontece no mundo todo. Com menos freqüencia em alguns lugares do que em outros, mas acontece. Aprendi com o meu descuido, que preciso dar mais atenção ao que não quero perder. Também tive a oportunidade de reviver um sentimento que, tenho certeza, quase todo mundo já vivenciou.
E, por fim, mesmo que a minha reflexão tome como ponto de partida um fato, que acredito, tem uma relevância pequena diante do que testemunhamos pelo mundo diariamente, mais do que nunca, defendo o desapego. Defendo, porque se o mundo todo se desapegasse do supérfluo, a inveja entraria em extinção. E a inveja é o sentimento que alimenta o desejo que as pessoas tem de tomarem para si o que é do outro, provocando atrito, violência e guerra. Ela está, em doses variadas, dentro de cada um de nós. Mas algumas personalidades não conseguem lidar com ela, sem invadir o caminho da vida alheia.
"Você é uma das pessoas que não nos deixam perder a esperança nas pessoas?"
Hehehehe.. Ai Lu, q ódio!!!
ResponderExcluirJá tive um celular roubado (no Brasil), na época ele havia me custado mil reais parcelados, e eu estava pagando ainda. Veio um modafoca (adoreiii!) e me apontou uma arma e me levou a porra do celular. Chorei de ódio.
Concordo com o desapego, mas que da vontade de enfiar um soco na cara do infeliz dá.
ahh.. mas o alimentar o odio soh faz agnt sofrer.. ressssspira! conta até 5... and peace and love... mas nao sem antes desejar que o cara se esburrache numa valeta e perca o celular... hauhauhauhauhau
ResponderExcluir(o meu sentimento teria sido mais profundo com uma arma apontada pra minha cara)oO
bah, queeee merdaaa!!!
ResponderExcluirsério, fiquei puto da cara por ti
só imagino a tua sensação
conheço bem a sensação do estômago retorcendo
foda...
mas certo que o cara vai perder também
o que vem fácil vai fácil
e apesar do teu desapego, recomendo
pega um melhor... passa logo a sensação
funciona! \o/