
Ele vira de um lado, ela de outro. Mas não consegue dormir.
A respiração dele vai ficando mais intensa. Quase um ronronar suave de gato. Mas ela ainda não consegue dormir.
Lá fora, o vento assusta os galhos da pequena laranjeira que batem insistentemente nas grades da janela. Seus olhos de menina continuam acesos, feito duas lanternas, esperando o sono chegar.
Começa a chover. Uma janela bate do lado de lá. Os ouvidos atentos não a deixam dormir. Em apenas três horas ela precisa se levantar.
Um carro para. O portão abre. Alguém tropeça e cai antes de chegar na portaria do prédio. Ela não perde o tombo, tampouco as risadas. O portão fecha com a força do vento, que não a deixa dormir.
Inquieta, ela vira de um lado para o outro. Então aquele corpo morno e preguiçoso, deitado ao seu lado, finalmente se meche.
Quando ele vira de lado, seu ronco leve desaparece. Um par de pés quentes encosta-se aos dela. Ele está ali.
Os olhos de Aurora finalmente pesam. A menina dorme. E dorme em paz, minha Catarina, como se nunca mais fosse ficar só.
-Bom dia, meu amor!
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