terça-feira, 27 de abril de 2010

Um coração partido e o tempo perdido.


Se ela ama ele não
Ela chora de decepção
Ele nem sabe que ela existe
Eu também não sabia, até então.

Foram três dias e três noites, e ela nem viu a luz do Sol. Ela não contou estrelas, ou correu na chuva. Foram três noites e três dias de calafrios, suor e sonhos ruins. E a doença da Aurora Catarina era amor. Daqueles que causam uma dor que parecia não ter fim.

Os três dias e três noites pareciam eternos. Os pensamentos dela sempre voltavam pro mesmo momento. Hora não tinha volta, a não ser em pensamento. A vida real não ensaia. A vida joga com a gente um jogo de improvisação. Tem gente preparada pra jogar, mas a Aurora não. Ela era uma criança; só uma criança de coração partido. Uma menina que sonhava em amar uma só vez. Que achava que não havia sobrado nada para outro alguém (se um dia ela tivesse um bem). Ela não via cura no tempo porque só pensava no tempo perdido. Se soubesse quanto tempo mais tinha por perder, ia olhar pro futuro e se dar conta que ainda tinha uma vida toda pra viver.

Choveu no terceiro dia. As nuvens cobriram o céu e choraram pela menina. Ela se cobriu e dormiu. Dessa vez sonhou de olhos fechados. As bochechas ainda estavam encharcadas em lágrimas. As olheiras fundas pareciam mais sombrias no rosto inchado. A cabeça ainda doía de tanto chorar. Essa seria a última lamentação. A vida não pára pra esperar.

A Aurora que eu conheço agora, tem muita história pra contar. É uma menina nova, muito nova, mas cheia de experiências pra compartilhar. Ela entrou na minha vida muito tarde e nunca me contou de onde veio. O nascimento da Aurora é algo que não consigo decifrar. Ela surgiu do nada, entrou na minha vida de repente e mudou meus planos . Se eu tivesse com a Aurora nos dias de cama, chuva e choro, eles não durariam três dias. Eles durariam anos.

Ela me encontrou na hora certa. Me caiu feito luva, num momento que eu precisava de alguém como Aurora. Alguém que sofre três dias incondicionalmente, chora, se desespera. Dorme, sonha, levanta, toma banho e vai embora.

Ela foi embora do próprio desespero. E na manhã seguinte, fria mas ensolarada, ela levantou da cama e saiu de casa, pra cumprir tarefas que estavam inacabadas. Até uma ponta de sorriso apareceu nas feições da menina quando o celular tocou. Ela tinha vida, amigos e eu. Eu que ainda não existia, ou ela que se escondia? Mas Aurora Catarina acordou com a sensação que dentro dela um coração batia. A dor de amor que causa sofrimento não vale mais um dia. E com um sorriso no rosto, maquiagem e cabelo limpo, ela saiu. Por dentro Aurora sofria e por fora ela sorria. Quanto mais a menina lembrava de viver, mais rápido ela esquecia.

O tempo é a cura mais eficáz
de todo amor que é doença.
E como usar esse tempo
Pode fazer toda a diferença.

2 comentários:

  1. amor é loucura, e loucura não tem cura. sabe, você se recupera, mas depois volta. avisa a catarina que amar não é doença nenhuma, amar tem a ver também com cuidar, se você não cuida, vai embora... e depois de chorar você ri.

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  2. *abraços imaginários apertados na aurora*

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